“Star Ocean” é um RPG de videogame no estilo japonês bastante tradicional em quase todos os aspectos, com uma grande exceção: seu tema espacial está mais próximo de um episódio de “Star Trek” do que o estilo medieval-tecnológico popularizado por “Phantasy Star” e “Final Fantasy”. Durante sua jornada pelo céu de estrelas, jogadores encontrarão novas raças e mundos primitivos, terão de lidar com legislações de uma federação intergalática e, é claro, uma guerra entre mundos diferentes.

Espaço, a fronteira final…

A história começa de uma maneira bastante inusitada: um casal de adolescentes está curtindo suas férias em Hyda IV. Não é difícil se perguntar como uma trama de RPG poderia se desenrolar dessa situação, mas a calma logo é quebrada por uma invasão de guerreiros de outra raça. Em pouco tempo o protagonista Fayt Leingod acaba perdido em um planeta de baixa tecnologia, sem poder interagir com eles devido aos tratados intergaláticos de não-interferência. Mas como em muitos RPGs, a missão de se reencontrar com seus entes queridos (no caso os pais e amiga do herói) acaba esbarrando na pergunta: por que eu estou sendo perseguido por um exército?

A pergunta será respondida de uma forma bastante parecida com a vista em “Xenosaga”: de maneira extremamente lenta, enquanto o herói vai ganhando novos amigos e explorando diferentes ambientes, tendo a aventura intercalada por LONGAS cenas não-interativas repletas de diálogos. Os fãs de RPG que reclamam do tom de dramalhão mexicano que assombra o gênero ficarão surpresos em saber que “Star Ocean” não segue o padrão – a lógica parece prevalecer sobre a emoção aqui.

Quem não jogou os games anteriores não terá maiores problemas em entender o que está acontecendo: além de se passar séculos depois de “Second Story”, o game traz uma enorme enciclopédia de leis, raças, planetas e eventos que ajudam o jogador a se localizar.

Ajustem seus Phasers em ‘atordoar’

Jogadores perceberão que o sistema de combate do jogo também não é dos mais tradicionais. Misturando um sistema de controle de ação similar ao da série “Tales” da Namco, personagens são capazes de desferir ataques especiais, usar magias e realizar combos de golpes com simples toques de botões. Mas quem prefere os tradicionais sistemas de menu pode personalizar uma programação tática que dispensa o uso de reflexos rápidos. O sistema é bastante complexo e permite muita personalização, mas não deixa de ser acessível. Talvez seu único problema para iniciantes seja a grande necessidade de coletar experiência de combate – algo que muitos podem deixar de fazer, já que é possível fugir dos inimigos nos mapas.

No fim das contas o sistema de combate é divertido, diferente e acessível, fazendo com que os longos calabouços do game não sejam tão entendiantes como em muitos outros games.

Repleto de brindes

Assim como o carro-chefe da Enix, “Dragon Warrior”, “Star Ocean” está repleto de jornadas paralelas para jogadores dedicados. O principal destaque são troféus de combate – centenas de prêmios dados ao jogador por completar certos desafios durante as lutas. Os prêmios não são poucos, e o game até oferece uma opção de combate multiplayer entre os personagens. Um sistema de invenção de itens consome muito tempo e oferece excelentes recompensas para os jogadores mais dedicados. Múltiplos finais completam o pacote, garantindo que completistas poderão gastar dezenas e dezenas de horas descobrindo segredos nos muitos cantinhos escondidos do game.

A produção do jogo não é tão impressionante quanto a de “Final Fantasy”, o que não é exatamente uma surpresa, visto que o game tecnicamente chega aos EUA com mais de um ano de idade. Mas a narrativa não é prejudicada pelos gráficos, que oferecem visuais competentes associados a uma excelente animação. O maior problema do game são as vozes, que parecem quase todas extremamente forçadas e quase idênticas (apesar de não ser o caso, é difícil não ficar com a impressão de que cinco pessoas dublaram todas as pessoas apenas forçando tons mais sérios e finos).

Pegue seu foguete e vamos lá!

“Star Ocean” se destaca por fugir das muitas convenções dos RPGs, mas mesmo assim oferecendo uma aventura divertida e repleta de surpresas. O ritmo lento do desenrolar da trama parece um pouco estranho visto a agilidade do sistema de combate, mas ajuda a capturar o espírito de seriado de ficção científica. O resultado final é um RPG único e competente para quem já não agüenta mais a mesma história de amor e protagonistas com passados sombrios dos games com “Final” e “Fantasy” no nome.
Fonte: UOL Jogos