A vida de herói de RPG é geralmente de salvar o mundo de um supervilão, quase sempre com poderes equivalente a deuses. No entanto, em “Sands of Destruction”, RPG japonês feito por profissionais que já trabalham em clássicos como “Grandia” e “Xenogears”, é exatamente o oposto: o destino do protagonista é destruir o planeta. A premissa surpreende, mas não o desenvolvimento da história ou a mecânica de jogo. Apesar de ter umas coisinhas diferentes, não escapa da tradicional fórmula do RPG japonês, com seus acertos e, principalmente, defeitos.

O protagonista atende por Kyrie, um pacato ajudante de cozinha que nem desconfia de seu poder oculto. Ele é a chave para a destruição do mundo, e o alvo de um grupo chamado Frente pela Aniquilação do Mundo, cujo objetivo é autoexplicativo. A razão para o grupo querer o fim do planeta como se conhece é que os humanos, neste universo, foram transformados em cidadãos de segunda categoria, dominado por uma raça chamada ferals, humanoides com características de animais. Assim, a destruição do mundo é a chance para recomeçar a história.

O enredo, no entanto, anda bem devagar no começo, mas uma hora Kyrie começa descobrir seus poderes – e não gosta nada do que vê. Ele acaba se aliando a Morte, uma das mais destacadas integrantes da Frente, e a partir de então, mais personagens surgem para compor o grupo, que no final terá seis participantes. A história até engrena mais para frente, mas nunca consegue passar ou superar as expectativas da premissa. E o final é o mais insosso possível.

Feito na forma

“Sands of Destruction” é um arquetípico RPG japonês. Ou seja, o jogador encontrará um roteiro bem definido, alternando entre visitar cidades (ativando eventos e comprando equipamentos) e explorar calabouços (é quando se enfrenta inimigos e eventualmente chefes de fase). Aqui, o mapa-múndi não é explorável, e o jogador apenas escolhe as localidades que se quer visitar. As vilas e cidades são enxutas, com poucos lugares para se visitar. Isso também quer dizer que há poucas missões opcionais, grande parte delas para obter as armas e vestimentas supremas.

A produtora Imageepoch bem que tentou colocar um tempero no sistema de batalha, mas o molde é mesmo aquele velho conhecido dos RPGs japoneses: encontros aleatórios e ações por turnos. Ou seja, é grande a chance de perder a paciência lutando com monstros quando o jogador quer mesmo é se concentrar em resolver os enigmas dos labirintos – e eles são razoavelmente complicados, mais pela falta de lógica do que pela dificuldade em si. Os combates acontecem numa frequência no limite do tolerável (quer dizer, isso vai depender de seu estado de espírito).

É uma pena, porque o sistema de luta é interessante. Cada personagem conta com dois tipos de golpes básicos: um rápido e outro forte. Além disso, há magias: as do tipo blood prejudicam os inimigos, enquanto as técnicas life conferem vantagens para seu grupo, como recuperar a energia. É possível fazer até seis ações durante um turno, embora no começo seja difícil passar de três ou quatro. Os itens são exceção, já que encerram o turno no ato.

“Aerial Raves”

Há muita variedade nos golpes. Os ataques se desdobram em “combos”, com até três sequências, e existem pancadas que deixam o adversário tonto ou manda para o alto. Nesses casos, o “follow-up” é específico, e potencialmente mais danosos para o oponente. O grande problema do game é a polarização extrema no que se refere à eficácia dos golpes. Existe um tipo de customização dos ataques que torna seu grupo muito poderoso, detonando qualquer oponente comum com apenas uma saraivada. Por outro lado, muitos chefes abusam de uma magia que praticamente monopoliza os turnos, e é capaz de destruir seu grupo sem sequer dar-lhe uma chance para contra-atacar. A contagem de danos também fica radical ao longo do tempo: ou são altos demais para acabar com alguém em poucos ataques ou tiram apenas um ponto (ou nada). E tudo isso subtrai desafio.

O elenco é clichê, composto por um herói loirinho que passa por uma provação para amadurecer, a heroína bonita que se sabe facilmente como vai acabar e um ex-oponente que acaba sendo convertido para o outro lado. Ainda assim, é delicioso encontrar um personagem como Taupy, que até parece a mascote do grupo (ele parece um urso de pelúcia), mas é um dos caras mais adultos por ali (inclusive na voz).
Fonte: UOL Jogos