Dois bilhões de downloads mostraram que um pequeno número de usuários responde pela maioria das trocas de arquivos.

Usuários de redes de compartilhamento de arquivos que costumam deixar seus computadores ligados por muito tempo têm agora um motivo para se preocupar. Pesquisadores da França desenvolveram uma maneira de monitorar downloads por meio de protocolo torrent de computadores que ficam conectados por períodos longos. O processo, inclusive, permite o mapeamento da internet destes usuários, além de identificar o tipo do conteúdo enviado e recebido.

Durante um Congresso de Segurança que aconteceu nos Estados Unidos, na semana passada, os estudiosos do Instituto Nacional de Pesquisas em Ciência da Computação, da França, demonstraram como utilizaram a técnica desenvolvida para espionar de forma contínua usuários de BitTorrent por 103 dias.

Eles foram capazes de obter 148 endereços IP e identificar dois bilhões de downloads, muitos deles que possuíam restrições legais de cópia. Segundo o documento apresentado pelos pesquisadores (disponível através do link http://bit.ly/BitTorrentSpy ), que recebeu o nome de “Espionando o mundo através do seu Laptop”, a maioria absoluta do material que era copiada teve início com um número relativamente pequeno de indivíduos.

“Nós não estamos dizendo que é fácil conter a disseminação de conteúdo. No entanto, é surpreendente que um número tão pequeno de usuários desencadeie bilhões de downloads” ¿ dizem os responsáveis pelo estudo.

Eles ainda questionam o fato de que os grupos antipirataria tentam conter os milhões de usuários que fazem o download, ao invés de tentar impedir um pequeno grupo de usuários que provê o conteúdo. Ao que tudo indica, a metodologia usa funções do próprio BitTorrent, já utilizadas por sites como The Pirate Bay e IsoHunt, conhecidos por divulgar os arquivos .torrent.

Comandos como “Scrape-All” ou “Informar Início/Fim” podem ser usados separadamente para identificar os endereços IP tanto de quem envia os dados, quanto de quem os baixa. A taxa de acerto é de 70%.

Os próprios pesquisadores apontam a privacidade como um fator importante. Segundo eles, uma solução para blindar os usuários seria a utilização de servidores proxy ou redes de anonimato, como as providas pelo serviço Tor (torproject.org).

Todavia, algumas falhas provocadas permitiram aos especialistas espionar as transações de forma a descobrir os endereços virtuais dos usuários, mesmo quando essa informação estava escondida por trás do Tor. Jacob Appelbaum, um dos colaboradores do projeto, comentou que o protocolo BitTorrent é vulnerável e pode ser perigoso se manipulado por usuários mal-intencionados.

“Não há muita diferença se você está usando Tor ou não. Se alguém quiser descobrir, não há nada que o protocolo possa fazer para evitar”, disse ainda Appelbaum.
Fonte: Tecnologia/Terra