Os mais novos podem não saber, mas “Dragon Ball”, o desenho, nem sempre foi sobre lutas colossais envolvendo alienígenas, demônios e andróides. Antes de se tornar “Dragon Ball Z”, o anime, baseado num quadrinho, era uma aventura cômica, uma especialidade do autor Akira Toriyama, que se baseou na novela chinesa “Journey to the West” para compor os personagens. Daí vieram o garoto Son Goku, com rabo de macaco, e itens fantásticos como o bastão que muda de comprimento e a nuvem voadora.

“Dragon Ball: Origins”, como o nome sugere, resgata essas primeiras aventuras de Goku e Bulma, uma garota que sai em busca de artefatos conhecidos como esferas do dragão, que, segundo a lenda, tem o poder de conceder um desejo a quem juntar todos os sete exemplares. Trata-se de uma reconstituição de praticamente toda a infância do herói, que faz rir por não ter nenhuma noção das convenções do mundo. Some-se a isso a aparição de personagens tão únicos quanto bizarros, como um velho mestre de artes marciais bem safado e um bandido cujo maior desejo é perder a timidez diante das garotas.

Lutas com a caneta

Trata-se de um jogo de ação e exploração, numa mecânica de jogo que lembra a de “The Legend of Zelda: Phantom Hourglass”, mas não tão bem ajeitado como no game da Nintendo. Ou seja, todas as ações do game são feitas pela caneta (apesar de haver opção para deslocar usado o direcional). Para fazer Goku se movimentar, basta manter a stylus na tela, indicando a direção para qual o personagem deve ir. Para atacar os inimigos, basta cutucá-los.

Em geral, os controles funcionam bem, mas quando há muitos inimigos na tela, é mais fácil acontecer ações involuntárias, como atacar os oponentes em vez de correr. O problema é que o jogo reage quando acontece o toque, sem esperar para saber se a intenção do jogador é realizar um deslocamento (se a caneta fica repousada na tela, é provável que esse seja o propósito). Ainda assim, na maioria das situações, comandos saem como desejados, e Goku pode mostrar sua ampla gama de golpes, que vão sendo liberados a medida que vai avançando na aventura.

Os combates são inteligentes: ataques desembestados são pouco eficientes ou até mesmo inúteis. É melhor perder um tempo para testar os vários golpes, e assim verificar os que mais funcionam com cada um dos tipos de inimigos – Goku pode atacar com as mãos ou com um bastão mágico. Assim, as lutas ficam mais interessantes e estratégicas, e isso vale ainda mais para os chefes, que são mais durões. Cada um dos golpes pode ser evoluído ao gastar os pontos adquiridos com as esferas roxas, mas isso só pode ser feito no menu principal. Goku também tem que ficar com um olho em Bulma, que não chega a ser indefesa, mas não pode ficar muito tempo abandonada perto dos oponentes. Sua morte significa game over também.

Olá, eu sou Goku

A exploração também diverte. Os labirintos não são complicados, mas a visão é estreita, o que faz o mapa ser indispensável. Os locais de exploração escondem diversos baús, que geralmente contém itens para fortalecer os protagonistas. Às vezes, é preciso explorar novamente as fases anteriores, já que as novas habilidades aprendidas ao longo da aventura podem acessar novos locais nesses estágios.

O jogo é dividido por episódios, uma decisão inteligente para um jogo de portátil, já que compartimenta as fases em seções de alguns minutos. Mas como a quantidade de episódios é grande (alguns são extras, que estende a história do desenho original), a duração do game passa das dez horas. Cada fase também traz cenas não-interativas, que reproduzem as situações do anime, como a parte em que mestre Roshi pede para ver a calcinha de Bulma, em troca de sua Dragon Ball, mas seus olhos presenciam muito mais que isso.

Levando em conta a modesta capacidade gráfica do Nintendo DS, o visual de “Dragon Ball: Origins” pode ser considerado excelente, principalmente as reencenações do desenho original feitos com modelos em 3D. A produtora Game Republic abusou das expressões faciais típicas de Toriyama, recriando o clima cômico consagrado pelo autor. No game em si, os “bonecos” dos personagens principais e alguns inimigos estão bem detalhados. Por outro lado, o cenário não mostra a mesma qualidade, mas, justiça seja feita, isso também acontece no desenho animado. A trilha sonora também é típica da série e, apesar de as histórias não serem dubladas, frases curtas temperam as cenas não-interativas e a ação do game em si.
Fonte: UOL Jogos

Download da versão UNDUB:

Dragon Ball – Origins UNDUB (U) – 2875