Depois de construir sua reputação com os games “Valkyrie Profile”, para PSOne, e com a série “Star Ocean”, a Tri-Ace está tentando emplacar mais um RPG, com um visual bem elaborado, personagens carismáticos e um plantel de mais de 175 aliados para encontrar ao redor do mundo.

Na verdade, “Radiata Stories” combina elementos de vários RPGs famosos, como os personagens em estilo animê à la “Kingdom Hearts” ou a série “Tales of”; o sistema de batalhas de “Star Ocean 3”, porém mais simplificado; a passagem do tempo como ocorre em “The Legend of Zelda: Majora’s Mask” ou “Brave Fencer Musashi”; e a grande quantidade de aliados, tradicional da série “Suikoden”. Sendo assim, o título da Tri-Ace pode não ter muita coisa original, mas consegue cativar pelas realizações técnicas e artísticas, além de um roteiro bastante engraçado.

Personagens radiantes

Realmente, a originalidade não é o forte de “Radiata Stories”. O enredo fala de um mundo onde convivem humanos e criaturas de outras raças, como elfos e anões. Apesar de não terem uma relação tão boa, os dois lados conviviam pacificamente, até que um evento deflagrou uma guerra aberta. E o jogador, na pele de Jack Russel, terá de escolher um dos lados da batalha.

Mas até essa guerra acontecer, nos capítulos iniciais do game o usuário já terá uma boa idéia das qualidades do título. Apesar do roteiro um tanto batido, são os personagens e o andamento da trama que tornam o game muito mais interessante. O protagonista Jack é um tanto abilolado, quase um idiota, mas é difícil não simpatizar com um personagem tão cativante. Para equilibrar, a heroína Ridley Silverlake é uma guerreira de elite, meio nariz empinado, vinda de uma tradicional família de militares.

Sendo assim, não é difícil imaginar as brigas entre os heróis, que rendem passagens engraçadas durante todo o game. Como se não bastasse, há outros personagens para adicionar mais comédia, como um trio de goblins totalmente tapados.

A parte introdutória é praticamente toda tomada por cenas não-interativas em tempo real, usando a competente tecnologia do game. O que faz “Radiata Stories” se destacar é seu elevado valor artístico e técnico. O estilo de desenho lembra o de alguns animês, com avatares de olhos grandes e brilhantes, além de cenários e roupas bem coloridas.

Chama a atenção a expressividade dos personagens. Não apenas pelos textos, mas, também pela linguagem corporal, com excelentes animações, e a expressão facial, típica dos desenhos japoneses, com algumas reações bastante exageradas. Os textos das cenas não-interativas são todas faladas, sendo que o tom das dublagens está um pouco carregado na tinta, mas cai bem dentro do contexto do game.

Uma pintura de gráficos

O visual é outro destaque do título, com cenários bem detalhados, sempre mantendo um direcionamento artístico, combinando com os personagens. A textura faz lembrar cenários pintados à mão, como os panos de fundo de alguns desenhos japoneses. E isso faz sobressair o trabalho artístico do game, visto que muito dos concorrentes têm cenários bastante artificiais.

A construção dos personagens é um show à parte. Todos têm características bastante variadas, com excelentes texturas e um design de bater palmas. Além dos aspectos externos, como roupas e cabelos, é a personalidade de cada um deles que os torna tão carismáticos.

A trilha musical também tem papel fundamental no clima do título, misturando, com equilíbrio, canções jazzísticas iguais as das trilhas épicas dos grandes RPG. Não são músicas memoráveis, mas muito agradáveis. As dublagens, como já comentado, mantêm o alto nível do título, com bom ritmo para o humor.

Chutando se chega longe

Não há grandes novidades na mecânica de jogo. O jogador poderá explorar os diversos mapas a procura de itens. O game não é tão grande para um RPG e a aventura principal poderá ser terminada em torno de 20 horas, mas há diversas missões alternativas que levarão a descobrir mais aliados para seu grupo. Como dito, são 175 deles no total. Além disso, como há uma bifurcação nas partes iniciais, será necessário jogar o game duas vezes para conhecer os dois lados da história.

O personagem Jack Russel possui uma ação característica: ele pode chutar objetos e pessoas. Basicamente, a caçada por itens se resume a entrar em toda e qualquer sala e chutar os objetos que vir pela frente, no intuito de revelar alguns itens. As pessoas reagem ao chutão e algumas delas podem ficar realmente bravas, puxando o jogador para a briga.

“Radiata Stories” possui um relógio interno, que rege o horário do game. Muitos dos seus habitantes seguem uma rotina e alguns eventos só podem ser ativados em um determinado horário. O sistema é similar ao de “Brave Fencer Musashi”, para PSOne. Muitas das missões principais também são ativadas com o tempo. Então, se você não souber o que fazer no jogo, tente, em primeiro lugar, dormir para ver se o enredo avança. O personagem Jack sempre acorda às 7h da manhã. Na cama, é possível salvar o game.

As batalhas parecem baseadas no sistema de “Star Ocean 3”, porém bem mais simplificado. Ao tocar, no mapa, em uma criatura beligerante, o game passa para um cenário especial, próprio para o combate. A briga ocorre em forma de ação e as opções do jogador são alguns movimentos básicos, como combos, especiais, defesa e desvio.

A mira é automática, com a opção de fixar num único inimigo. O problema do sistema é que a mudança do alvo não parece ocorrer com um critério lógico. Pelo menos, os combates não são difíceis. Somente em alguns chefes a situação realmente aperta. Os controles também não chegam a ser dos mais precisos.

Os seus companheiros (três no máximo) são totalmente controlados pelo computador – o usuário não pode nem trocar em seus equipamentos. Mas é possível dar ordens como, por exemplo, para atacar determinados inimigos ou usar de variadas táticas. Além disso, existe um movimento que permite “ligar” os personagens e permitir diversos tipos de ataques e vantagens. Mas alguns inimigos também podem usar o truque.

Os combos podem ser montados pelo jogador, obedecendo a certos limites. Essas seqüências de golpes ficam mais eficientes se forem observadas certas regras, como verificar a trajetória dos movimentos e fazer com que haja uma evolução natural ao ligar um ataque a outro. Cada tipo de arma tem movimentos exclusivos: os golpes que compõem os combos e os especiais.

Dose certa

O grande mérito de “Radiata Stories” é ter personagens cativantes e um roteiro com bastante humor, amparados por um belo visual, que mais lembra um desenho japonês, além de dublagens seguras. Esses ingredientes fazem esquecer até mesmo um enredo cheio de clichês. O jogo em si não possui muitas novidades, mas se trata de um sistema bem feito, que deve agradar àqueles que estão achando os RPGs de hoje muito complicados. Mas mesmo quem já é veterano no assunto também poderá se divertir, pois achar 175 personagens não é tarefa das mais simples.
Fonte: UOL Jogos

Download da versão UNDUB:

Radiata Stories (U) UNDUB – torrent