A Level 5 ainda é uma produtora nova, mas já goza de grande prestígio entre os fãs de RPG. Não é à toa. Fundada em 1998 por Akihiro Hino, ex-Riverhill Software, a produtora logo ficou próxima à Sony, que à época preparava a transição do PSOne para o PlayStation 2 (lançado em outubro de 2000).

A parceria rendeu ótimos frutos, com RPGs bons de crítica e vendas, como a série “Dark Cloud” e “Dragon Quest VIII”, todos para PlayStation 2. Agora, o console recebe “Rogue Galaxy”, o mais ambicioso projeto da companhia, com um conteúdo rico e extenso. Os americanos amargaram uma espera de mais de um ano em relação ao original japonês, mas saíram ganhando com extras, que não se limita a novos itens ou monstros.

Numa galáxia muito distante…
“Rogue Galaxy” é um RPG nos moldes tradicionais japoneses, mas com batalhas que mais parecem um game de ação, não fossem os menus que param o tempo quando ativados. Não bastasse a aventura principal ser longa, há uma enorme quantidade de missões paralelas, minigames e outras funcionalidades, tornando o game um dos mais “recheados” até hoje.

Jaster é um jovem que está cansado de sua vida monótona num planeta periférico, e sonha em explorar o universo. Mal sabia ele que uma confusão faria seus desejos se tornarem realidade. A história da aventura juvenil com pitadas de “Star Wars” não é lá muito original e o seu desenvolvimento também não é dos menos previsíveis, mas, ao menos, as cenas não-interativas estão repletas de ação, foram bem dirigidas e não falham em imprimir humor e emoção. Por sinal, os vídeos pré-fabricados, que imitam um desenho animado, estão com mais qualidade que na edição japonesa.

A exploração é similar a outros RPGs em 3D, mas aqui os mapas são enormes e quase não há interrupção para carregamento de dados, permitindo vasculhar o cenário sem estresse: falar com as pessoas, visitar lojas e abrir baús que porventura estiverem pelo caminho. Como o personagem pula, há um componente de ação de plataformas, mas bem diluído. Mas alguns itens estão bem escondidos em locais aparentemente inalcançáveis.

Mais ação ao RPG
Na verdade, a linha entre a exploração e as batalhas é bem tênue, já que estas acontecem sem troca de tela, como em “Kingdom Hearts”. O sistema é de encontros aleatórios – os monstros aparecem do nada e de repente -, mas os combates mais parecem um jogo de ação. O jogador controla um dos lutadores do grupo, como se estivesse jogando um “Devil May Cry” – guardadas as devidas proporções, claro -, com direito a espadadas e tiros. Naturalmente, a variedade da ação é bem menor, com seqüências limitadas, mas não falha em criar cenas movimentadas de luta, já que há uma algazarra geral na tela. O jogador ainda pode arremessar itens e inimigos.

As lutas são desafiadoras. Os danos que os inimigos causam quase sempre expõem o jogador ao perigo. É claro que a dificuldade pode ser baixada com ganho de experiência e o conseqüente desenvolvimento dos personagens, mas, de cara, os combates costumam ser mais duros que os RPGs de hoje em dia. Não é raro encontrar, de repente, inimigos muito mais fortes que você. Por outro lado, é fácil evitar a morte, pois a qualquer hora você pode abrir o menu e usar uma poção que recupera sua energia na hora. O único problema é que o consumo desses itens costuma ser bem rápido em “Rogue Galaxy”.

Na maioria dos casos, basta golpear incessantemente para vencer, mas há inimigos que necessitam estratégias específicas, como uma planta que só abre sua defesa quando alguém pisa em cima. Alguns inimigos têm ataques devastadores, que recomendam o uso da defesa. O uso de estratégias se faz muito necessário principalmente contra os chefes, que não podem ser derrotados apenas com força bruta. É preciso conhecer seus movimentos e padrões de comportamento.

O jogador também precisa lidar com uma barra que se esvai quando se pratica alguma ação, impossibilitando qualquer movimento, com exceção do deslocamento, quando estiver vazia. Não é muito útil, mas existe um menu que orienta o comportamento dos companhia. É que a inteligência artificial que rege seus amigos não é lá muito eficiente. Ao menos, eles sugerem certas ações – como usar um a poção quando alguém estiver ferido -, que você pode aceitar com um toque de botão. Isso é bem prático, apesar de, às vezes, não dar tempo para sanar a situação. O melhor mesmo é você abrir o menu, já que, como dito, o uso dos itens é instantâneo.

Luto, logo evoluo
Outro recurso que ajuda a amenizar a monotonia dos combates é saber que os personagens podem ser evoluídos de várias maneiras, não apenas pelo acúmulo de experiência. Por exemplo, cada uma das armas também armazena pontos com os combates. Além disso, elas podem ser fundidas numa só, mas a condição primordial é que sejam usadas o suficiente para o personagem dominar o uso da mesma.

Os lutadores também conseguem novos poderes ao preencher um mapa de habilidades, diferentes para cada um. As lacunas requerem determinados itens, e eles costumam aparecer praticamente durante todo seu progresso no game, dando a sensação que o grupo está sempre conseguindo coisas novas. Os golpes especiais dão direito e cenas exclusivas e alguns são muito poderosos.

Há também um tipo de especial que produz uma seqüência devastadora, a burning strike, que necessita que se pressionem determinados botões num certo ritmo. Na edição americana, esse golpe pode ser acionado quando o jogador quiser, desde que se tenha preenchido uma barra correspondente, em vez de ser aleatório. A versão ocidental ainda conta com mais desses ataques e novas armas, além de mais monstros, itens e roupas. Até a animação dos combates foram ampliados e melhorados.

Profissão: aventureiro e treinador de insetos
A aventura é longa e consome pelo menos 50 horas, só para fazer o essencial. Mas ainda há uma série de missões paralelas – na edição americana há um planeta extra inteiro para explorar – e vários minigames. Em uma de suas atividades paralelas, a trupe tem acesso a uma fábrica, que dá acesso a um passatempo de linha de montagem e permite construir novos itens e até comercializá-los.

Ainda há um outro afazer para quem quer exercitar sua veia “Pokémon”, “Digimon” ou “Monster Rancher”. É que há um minigame de captura, desenvolvimento e luta de insetos, com direito a fazer cruzar as espécies para criar um ser potencialmente mais forte. Há até um torneio com esses bichinhos.

Os mapas são extensos, mas pouco imaginativos, já que o caminho é quase linear. Mesmo assim, na versão americana, alguns foram redesenhados para ficar menos monótonos. Em alguns locais, é preciso usar a cabeça, como escolher uma chave certa ou achar um jeito de mudar o ambiente. No entanto, na maioria dos enigmas – cujos locais vem marcados com um ponto de interrogação -, se exige a utilização de um item específico.

Especialidade da casa
A produtora Level 5 novamente usou a técnica de cel-shading – que deixa o título com cara de desenho animado – para construir os personagens. O resultado ficou excelente, trazendo modelos com muitos detalhes. Além disso, o design dos modelos humanos (ok, tem robôs e alienígenas também) está inspirado e pode ser modificado com novas roupas. Os tipos não são exatamente originais – tem um andróide chamado Steve que é a cara do C3PO do “Star Wars” -, mas angariam simpatia. Pena o enredo não explorar mais as histórias pessoais de cada um. Poderia ser mote para mais momentos de humor.

Os cenários também estão bonitos, apesar de os ambientes serem todos meio “quadradinhos” e com uma estrutura simples. Mas como há um monte de objetos decorativos – como árvores e mato na fase da floresta -, no fim das contas, tudo isso acaba sendo disfarçado. O desempenho é excelente, quase sem queda de velocidade ou erros, além de o tempo de carregamento ser mínimo.

A trilha musical é competente – tem a qualidade de se adequar ao que se passa ao redor -, mas não marcante. As dublagens, no entanto, merecem aplausos, pelo tom certo que imprimem aos personagens, tentando fazê-los soar diferente uns dos outros, seja no jeito gentil de Steve ou no sotaque meio escocês de seu companheiro Simon. Mais uma vez, os americanos foram premiados, com muito mais cenas faladas que a edição japonesa (a produtora diz são duas mil linhas a mais de diálogos). Ajuda também um texto inspirado e sem erros.

Um épico espacial
“Rogue Galaxy” não é original, mas mescla quase tudo que os RPGs japoneses produziram de melhor. Traz batalhas empolgantes e desafiadoras, e aventura para dar e vender. Um game tão grande assim poderia cair na armadilha do cansaço, mas a produtora recompensa o jogador constantemente, seja com novos itens ou com a evolução dos personagens. Sorte da Sony ter uma linha de games tão bom na reta final do PlayStation 2, enquanto o seu sucessor não decola.

Fonte: UOL Jogos

Download da versão UNDUB:

Rogue Galaxy UNDUB 1.1 (U) – torrent