Remake de um dos melhores RPGs de PSOne agora em versão UNDUB para PSP

“Valkyrie Profile” é daqueles jogos que já são bons, mas acabam ganhando uma aura de mito por capricho do destino. Quando foi lançado no Japão, no dia 22 de dezembro de 1999, esse jogo para PSOne fez sucesso, mas a distribuidora Enix subestimou a popularidade do game nos EUA, lançando poucas cópias. Mas a propagando boca-a-boca aumentou a procura pelo jogo e o fato de o título ser pouco tolerante a riscos no CD, o tornou um dos games mais raros do PSOne. Hoje, nos leilões virtuais, o título passa facilmente dos US$ 100, chegando a US$ 300, se for lacrado.

Agora, aqueles que estão sedentos, ou ao menos tem a curiosidade de saber o que há por trás do mito, poderão fazê-lo de forma mais barata, com o remake feito para o portátil PSP, renomeado para “Valkyrie Profile: Lenneth”. Definitivamente, o jogo tem a marca da produtora Tri-Ace, que também trabalhou em jogos como “Star Ocean” e “Radiata Stories”. Ou seja, traz uma mecânica de jogo rica e é um paraíso para quem gosta de destravar tudo que o título oferece, mas também há muitos defeitos de programação.

Buscando almas no mundo terreno

“Valkyrie Profile: Lenneth” é uma cópia carbono da edição para PSOne. Não há nenhuma adição de conteúdo em termos de jogo, como novos itens ou labirintos, elementos que costumam aparecer em remakes, como é o caso da linha “Final Fantasy” para o Game Boy Advance. A maior adição desta versão são os vídeos em computação gráfica, 12 no total. Um desses filmes faz a ligação com a seqüência do game, chamado “Valkyrie Profile 2: Silmeria”.

O sistema do game é rico, trazendo inúmeras opções. Inversamente proporcional é a boa vontade da produtora em explicar cada um desses elementos, fazendo com que o jogador tenha que adquirir esse conhecimento na prática. Para os mais experientes, que é o público alvo do game, isso soa como desafio, mas para quem nunca viu um RPG antes, é certo que vai ficar perdido.

E nem adianta ler o manual, que também não se interessa em elucidar os mistérios. Ou seja, é bem provável que o jogador só esteja utilizando 100% do que o game oferece quando estiver bem adiantado. Ao menos, é o tipo de game que os aficionados jogarão várias vezes, pois não é possível vivenciar tudo numa única partida.

Outra característica do game é a originalidade, tanto no sistema de batalha como no andamento do game. O título traz elementos de ação de plataformas e um pouco de gerenciamento. Esses elementos e a temática que resvala no divino fazem lembrar um pouco o clássico “Actraiser”, também distribuído pela então Enix.

Fantasia e mitologia nórdica

A história do jogo também é bastante rica, em parte porque bebe da fonte da mitologia nórdica, tratada aqui com bastante liberdade. Aqui, o jogador controla uma valquíria chamada Lenneth, que precisa buscar almas fortes no mundo terreno, a Midgard, para lutarem no confronto final – o Ragnarök – entre as raças de deuses Aesir e Vanir.

Depois de uma longa seqüência de enredo – outra característica do game são essas extensas partes de história – o jogador é colocado em uma das “fases” do game. Essas fases funcionam como jogos de plataforma com visão vertical. Há uma série de plataformas, escadas e elementos típicos desse tipo de game. A ligação com outras partes dos mapas pode ser feita nas extremidades dos locais, ou através de passagens para o fundo ou para a frente da tela.

Dentro das fases, Lenneth pode criar cristais nas paredes ou no chão, que servirão como uma plataforma. Acertando o mesmo lugar, eles ficam maiores e atingindo uma terceira vez, acontece uma explosão, fazendo voar a personagem caso esteja no raio de ação do impacto. Você também pode destruir esses cristais, que se partem em dois pedaços, que podem ser carregados pela personagem.

Todos esses elementos servirão para resolver os quebra-cabeças, permitindo alcançar locais aparentemente inatingíveis. O jogador, porém, não precisa solucionar nenhum deles para terminar o jogo, pois tudo é opcional. O controle dos saltos não é dos melhores e não serviria para um jogo mais robusto de ação com plataformas.

Dentro das fases, há diversos itens e monstros no meio do caminho e o jogador pode evitar os confrontos pulando essas criaturas. Além disso, ao acertar os cristais, eles ficam congelados, facilitando o processo de evitá-los. Se enfrentá-los, a melhor maneira é acertando-lhes uma espadada, garantindo o direito de começar a batalha na melhor das condições, ou seja, atacando primeiro e todos prontos para atacar.

Lutas divinas

O sistema de combate de “Valkyrie Profile” é bastante original e muito vistoso. Para começar combina elementos de batalha por turnos e de ação em tempo real. O grupo do jogador poderá ter até quatro guerreiros e cada um deles está associado a um dos botões principais do PSP.

Quando chegar a sua vez, o game indica quais personagens podem ser usados na rodada – alguns demoram mais de um turno para se recuperar de um movimento. Daí cabe ao jogador decidir quais guerreiros irão atacar. Você pode atacar com os quatro personagens, apertando os botões na ordem que eles partirão para a ofensiva. Se a interrupção entre os golpes superar um determinado tempo, o “combo” é quebrado.

É preciso lembrar que cada personagem tem seu ritmo de ataque, então é preciso conhecer suas características e acioná-los na ordem certa. Além disso, as armas também influem no “timing” da ofensiva. Em geral, fazer combos é mais vantajoso, pois a cada “hit”, o poder de ataque aumenta 1 ponto percentual. Ou seja, com uma seqüência de 30 acertos, o último golpe terá 29% a mais de força que o normal.

Mas, às vezes, pode ser bom dividir o grupo de ataque, fazendo ataque em duplas ou mesmo individualmente, caso consiga matar o inimigo com poucos golpes. E como algumas armas permitem fazer até três participações na batalha por turno, a gama de estratégias é bastante ampla.

Purificando almas

Mas as batalhas não param por aí e quando um medidor ao redor do contador de combo chegar 100% aparece um modo chamado “Purify Weird Soul” (PWS). Com isso, todos os personagens que acertaram seus golpes poderão usar ataques especiais devastadores, tanto no efeito como no visual. Caso o medidor chegue a 100% novamente, mais um guerreiro também poderá usar seu especial.

Mas, depois do primeiro atacante, o medidor volta para 80%, e depois do segundo, vai a 60% e assim por diante, ou seja, é mais difícil o terceiro guerreiro acionar seu PWS que o segundo, já que a cota a preencher cresce progressivamente. Por isso, é preciso saber quantos pontos percentuais cada golpe PWS preenche para saber em que ordem os personagens deverão ser acionados para fazer uma seqüência com os quatro lutadores. Além disso, o poder de ataque aumenta conforme a vez, ou seja, o quarto guerreiro tem cerca de 40% a mais de poder de fogo caso fosse o primeiro da fila. Ou seja, o ideal é usar aquele que tem o golpe mais forte como o último da lista.

Além disso, há como usar itens e magias através de um menu, como nos RPG mais tradicionais. Algumas dessas magias mudam de característica se acionados dessa forma, como uma de fogo que passa a atingir todos os inimigos.

A hora do confronto final está chegando

Na verdade, quando não estiver vendo as longas cenas não-interativas, o jogador dividirá seu tempo entre as batalhas e a tela de menu. Aqui também há muitas coisas para fazer, como habilitar ou melhorar as habilidades de cada guerreiro e, caso sejam humanos, melhorar suas qualidades positivas e atenuar as negativas, fazendo seu “valor heróico” subir. Esse quesito é essencial na hora de mandar esses guerreiros para a Ragnarök.

Além disso, o jogador pode criar itens, transformar objetos, equipar os personagens e muito mais, além de poder salvar e carregar os dados. Isso só pode ser feito nas proximidades de cristais especiais dentro da fase ou na tela de mapa-múndi. Essa é uma das partes que poderia ter sido melhorada nesta edição para PSP, já que os “save crystal” estão muito longes uns dos outros. É importante para um jogo para portátil poder salvar a qualquer hora, que não acontece com “Valkyrie Profile”.

O jogo é composto por oito capítulos, e estes, por sua vez, tem a duração de 24 períodos cada um. No mapa-múndi, Lenneth observa o mundo do alto, voando. Apertando o botão Start, ela pode ouvir a agonia daqueles que estão em seus últimos momentos, ou seja, possíveis candidatos para entrar em seu grupo, treiná-los e enviá-los para a batalha celestial.

Na prática, você tem que repetir esse processo a cada início de capítulo, até não conseguir informações novas. As cidades com pessoas prestes a morrer aparecem de outra cor e ao entrar nelas aparecem longas cenas não-interativas. No final, a alma da pessoa pode lutar ao lado de Lenneth, mas, como dito, o grupo comporta apenas três guerreiros, já que a própria precisa necessariamente estar presente na equipe. Os outros guerreiros ficam na “reserva”.

Entrar nas cidades, cavernas e outras localidades consome alguns períodos. Essa informação aparece antes de selecionar definitivamente o local a ser visitado. Além disso, Lenneth também pode descansar e isso, dependendo das opções que escolher, pode durar até três períodos. Ou seja, o jogador precisa planejar e escolher bem os locais a visitar.

As cidades podem ter novos aliados e itens, e as cavernas são infestadas de monstros, que são importantes para a obtenção de experiência e deixar os seus guerreiros fortes antes de serem enviados para o plano superior. As fases também possuem tesouros valiosos, que o jogador pode ou não enviar para Odin, em troca de recompensas. Há um pequeno desconforto para falar com as pessoas, pois você nunca sabe direito se está na distância certa para ativar os diálogos. A mesma coisa acontece na hora de pegar cristais e baús.

A cada capítulo o jogador pode transferir até dois guerreiros para o plano superior e na fase sacra, que acontece entre os capítulos, informa a situação sobre a grande guerra Ragnarök. Caso tenha enviado bons guerreiros, as recompensas de Odin são as melhores possíveis.

Um ponto interessante do game é que o jogo muda bastante dependendo do nível de dificuldade. No Easy, há menos personagens, cavernas e itens. Apesar de ser mais fácil no começo, a falta de itens poderosos torna o game mais difícil que na opção Normal mais para frente. No Hard, há todos os itens, personagens e localidades diferentes das outras opções. Essas novas cavernas costumam ser bem mais complexas, mas trazem artefatos muito poderosos. Além disso, há três finais diferentes.

Obra de arte digital

O visual de “Valkyrie Profile: Lenneth” é magnífico, feito de forma artesanal. A tela do PSP novamente mostra sua qualidade, permitindo enxergar cada detalhe e de forma cristalina. Os cenários são belos, cheio de detalhes e com “layout” perfeito. Também brilham as ilustrações dos personagens, que tem um estilo bem característico, com várias expressões faciais dependendo do tom da conversa.

Os “bonequinhos” também estão detalhados, mas ficam meio borrados dependendo da cena e isso fica evidente diante da definição da tela do portátil. É apenas um detalhe, mas incomoda, principalmente diante da perfeição dos cenários e avatares. As cenas em computação gráfica também são bonitos, mas o estilo é diferente demais dos retratos artísticos. Além disso, a dublagem está diferente, com exceção da protagonista.

Outros problemas estão em ocasionais quedas de desempenho e no acesso ao disco. Isso acontece toda vez que se abre os menus, e incomoda bastante. Infelizmente, o jogo para PSP não traz os melhoramentos da edição americana lançado para o PSOne, como a possibilidade de ordenar os itens e poder trocar o equipamento dos personagens que estão na reserva.

A trilha sonora é de Motoi Sakuraba, que já mostrou sua qualidade em jogos da série “Tales of” e “Baten Kaitos”, por exemplo. Em “Valkyrie Profile” ele também fez um ótimo trabalho, trazendo melodias poderosas e variando o clima dependendo da situação. Há bastante dublagens no game, mas o resultado não é muito bom. O tom é forçado e parecem diálogos de aulas de inglês.

Igual há seis anos

“Valkyrie Profile: Lenneth” é um dos RPGs japoneses mais originais da história. As cenas não-interativas são longas, e muitas vezes sonolentas, mas o enredo é envolvente. O sistema de batalha é divertido e é um título que convida a replays, já que nem tudo pode ser experimentado numa partida. É um game voltado para quem tem experiência com RPGs, já há muitos sistemas complexos, e mesmo esses jogadores demorarão um bocado para conseguir utilizar 100% tudo que o game oferece.
Fonte: UOL Jogos
A dubalgem que deixou um pouco a desejar foi substituida pela dublagem da versão japonesa.
Masterpiece!!
Fonte UOL Jogos

Download da versão UNDUB:

Valkyrie Profile: Lenneth UNDUB (U) – Parte 1

Valkyrie Profile: Lenneth UNDUB (U) – Parte 2

Valkyrie Profile: Lenneth UNDUB (U) – Parte 3